quarta-feira, 11 de maio de 2011

CÓDIGO FLORESTAL, O FIM

           A Câmara dos Deputados parece que finalmente vai votar hoje, aqui em Brasília, o novo código florestal. Depois de muita discussão, o governo "botou o pé na parede", "engrossou o caldo", e mobilizou a sua tropa de choque para que a novela tivesse o seu último capítulo nesta quarta feira. E quando o Palácio do Planalto ordena, ninguém discorda, todos obedecem feito carneirinhos.
           O código florestal, embora o grande público desconheça o seu teor e o seu alcance, é de muita importância, tanto para o presente como principalmente para o futuro do país. Porém, ainda que o desconhecimento seja enorme, uma coisa  é sabida e bem sabida: nossas matas estão desaparecendo e os rios estão secando! As cidades estão explodindo de tão  grandes e a poluição, claro, aumentando estupidamente! Então, se quisermos deixar para os nossos netos um Brasil razoavelmente bom para se viver, é necessário cuidar do meio-ambiente.
            São complexas as relações e os interesses envolvidos nesta discussão do novo código. Ora, seríamos ingênuos se pensássemos que o agronegócio ficaria de fora, apenas como espectadores. Não, a agroindústria jogou pesado na defesa do que considera como seu interesse, afinal de contas são milhões e milhões de dólares que a classe embolsa por ano, sobretudo com a exportação das chamadas "comodittes" (soja, açúcar, milho, etc.). E nós sabemos também que os "nobres" deputados precisam de dinheiro para bancar sua eleição, que, aliás, está ficando cada vez mais cara no Brasil.
      Nesta verdadeira "queda-de-braço" entre as organizações que defendem o equilíbrio ecológico e as grandes empresas, nacionais e multinacionais, do agronegócio, quem levará a melhor? Vamos esperar pra ver. Vamos pagar pra ver! 
            O PT infelizmente abandonou antigas bandeiras nesse campo do meio-ambiente. Os petistas tornaram-se super pragmáticos, ou seja, não querem saber de muitas discussões. A meta é o desenvolvimento a qualquer custo, nem que para isso o país acabe de vez com as suas reservas florestais e o futuro se torne mais sombrio. Rezemos ao Senhor!

terça-feira, 10 de maio de 2011

O INTERESSE DAS ELITES

Diz o velho ditado que "brasileiro deixa tudo para a última hora". Com relação a Copa do Mundo de 2014 e aos Jogos Olímpicos, previstos para acontecer em 2016, no Rio de Janeiro, o dito se confirma. Excetuando-se alguns estádios de futebol, cujas obras já começaram, não se vê nenhuma grande construção sendo erguida nesse país.
O que o grande público desconhece muitas vezes, porém, é que essa coisa de "deixar para a última hora" é de extrema importância em se tratando de fazer crescer o lucro das empreiteiras e, consequentemente, de alguns políticos e executivos do governo também. Um exemplo disso foram os Jogos Pan-americanos que aconteceram no RJ anos atrás. A obra foi orçada inicialmente em 300 milhões, mas devido aos atrasos no cronograma saltou para 3 bilhões de reais. Eu disse 3 bilhões! Agora façamos um pequeno esforço de imaginação para sabermos quanto vai custar aos cofres da "viúva" a Copa e as Olimpíadas... Continuemos a imaginar de quanto será a "comissão" a ser embolsada por essas quadrilhas que tem "prerrogativas parlamentares". E a galera dos ministérios, estão nem se fala!...
Se a minha memória não me deixa na mão mais uma vez, acredito que o assunto "empreiteiras" nunca foi discutido seriamente no Brasil. Já faz algum tempo a Câmara dos Deputados constituiu uma CPI para investigar a sua atuação, mas o resultado foi pífio (ops!), ou seja, não deu em nada. Entretanto, qualquer cidadão ou cidadã que possua ao menos 10% de massa cinzenta no cérebro, ao examinar a relação dos doadores de dinheiro para campanhas políticas descobrirá que são elas, as empreiteiras, as campeãs. É lógico que assim seja, uma vez que as grandes obras, de onde brotam minas de dinheiro, são as obras públicas. E no caminho às vezes duro e penoso para chegar a essas minas existem os "facilitadores". Como dizia minha vó, "uma mão lava a outra", nada mais natural, portanto. 
Tenho certeza de que apesar da demora o Brasil vai construir e construir muito até a chegada desses dois grandes eventos esportivos internacionais. Sim, porque existem interesses maiores nisso tudo. Os políticos, os executivos de Brasília, as elites governamentais e os empreiteiros precisam ganhar dinheiro. Com certeza não haverão de perder uma oportunidade como essa. De boba essa  gente não tem nada!

segunda-feira, 9 de maio de 2011

O CULPADO É O POVO !

Vou começar a semana comentando brevemente uma cena ocorrida dias atrás no Japão. Toda a diretoria da usina nuclear de joelhos, inclinando-se diante de um grupo de representantes das áreas atingidas pelos efeitos da radiação e pedindo perdão. As lideranças comunitárias apontavam o dedo para os executivos e os acusavam de negligência e de desrespeito para com os direitos da população. Embora pudessem  jogar a culpa para o fenômeno natural (o terremoto), os diretores humildemente preferiram se curvar e reconhecer o erro.
Fiquei deveras impressionado porque, de fato, a cena como que desconstrói nosso modo de pensar a autoridade. No Brasil, aliás, na cultura ocidental de um modo geral, a autoridade parece que sempre tem razão. Dificilmente alguém ousa questiona-la. Temos a impressão de que as decisões vindas "de cima" são sempre as melhores e as mais acertadas. O que é pior, a autoridade em caso de erro não o reconhece, disfarça, faz de conta que nada aconteceu de ruim e segue mandando e desmandando.
Alguém já testemunhou na história do Brasil um governante pedir perdão publicamente? Talvez seja a minha memória curta demais, mas a verdade é que eu disso não guardo lembrança alguma. Pelo contrário, depois do desastre todos os  responsáveis mostram a cara na TV ou fazem declarações muito retóricas para dizer que não são culpados de nada. Quando não empurram a responsabilidade para outras esferas do poder, simplesmente se desculpam dizendo que a culpa foi da natureza (choveu demais... fez calor de mais... etc.) ou aconteceu um "problema técnico"... e por aí vai. Ninguém se responsabiliza por nada de errado. Ao fim e ao cabo todos acabam "tirando o seu da reta"... desculpem a linguagem um tanto quanto rasteira.
O exemplo dos japoneses me comoveu, mas acho que vou morrer sem assistir coisa semelhante em minha terra. Sim, vou deixar esse mundo levando nos olhos as imagens dessa raça de gente sem vergonha que comete as maiores barbaridades e logo depois, com a cara mais "lavada", sorriem para as câmeras e se fantasiam de anjinhos pra dizer que não são culpados de nada. Aconteça o que acontecer, haja o que houver, a culpa é da vítima, o culpado será sempre o povo.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

HOMEM COM HOMEM MULHER COM MULHER

A semana termina com a decisão do STF, Supremo Tribunal Federal, que reconhece a união civil entre homossexuais. De agora em diante, tanto faz um homem casar com uma mulher ou com outro homem, uma mulher casar com um homem ou com outra mulher. Para a lei brasileira hoje é tudo igual! Finalmente nos igualamos às nações "civilizadas", "modernas", "liberadas", sem preconceito, etc. e tal. No  meu tempo se dizia que "homem com homem dá lobisomem" e "mulher com mulher dá jacaré"... Mas isso já era!
O assunto, evidentemente, é mais do que polêmico, e eu não vou dar aqui a minha cara pra ninguém bater. Muito menos quero ser acusado de ser um "homofóbico". Deus me livre e guarde! Mas, apesar dessa minha prudência (!) também não pretendo associar-me aos louvores que ora são feitos aos gays, lésbicas e Cia Ltda. Não vou aplaudir nem tecer comentários elogiosos apenas para passar a imagem de uma pessoa "aberta" e "liberal". Não, eu não acho que o homossexualismo deva ser a regra geral, como se a própria natureza de repente tivesse mudado o seu jeito de ser. Contra todos os discursos da moda ("politicamente corretos", como se diz) vou continuar acreditando que a mulher foi feita para o homem e vice-versa.
Tudo bem! Reconhecer o direito que essas pessoas têm de viverem da maneira que quiserem faz parte da convivência democrático-pluralista. Não discriminar ninguém por causa das suas opções sexuais, idem. Porém, Senhores Ministros do STF, chamar de "família" a união entre pessoas do mesmo sexo é coisa muito diferente. Ou então vamos jogar fora todos os manuais de psicologia, de sociologia, de antropologia, etc. E olha que eu não falei aqui de religião! Desde quando se diz que a família é a base de toda a nossa formação? São as noções de "macho" e "fêmea" que estruturam os valores a partir da infância e que pouco a pouco vão estabelecer e consolidar a personalidade humana. O que podemos esperar de uma "família" onde esses papeis não estão definidos?
Como diziam os antigos, "o futuro a Deus pertence". Niinguém sabe ao certo o que virá a partir de agora. Talvez a sociedade se torne melhor, talvez não. Como vamos encarar este movimento que cresce a cada dia? A educação das nossas crianças precisará ser re-avaliada? O conceito de família será radicalmente alterado? Viveremos o século do lieralismo total e absoluto? Voltaremos à barbárie (osp!)?
Talvez eu não tenha mais tempo para obter essas e outras tantas respostas. Paciencia! Quem sabe isto até me sirva de consolo...

quarta-feira, 4 de maio de 2011

CALA A BOCA SR. MINISTRO !

            Tem coisas que não devem ser ditas, embora possam ser pensadas, evidentemente. E quem não tem nada a acrescentar é melhor ficar calado. Abrindo a boca corremos sempre o risco de dizer "abobrinhas". Algumas pessoas, inclusive, sofrem da chamada "diarréia mental", eufemismo usado por uma questão de educação e de fineza social, digamos assim. Ou como ensina o velho dito popular: "em boca fechada não entra mosca" e outros bichos mais perigosos, acrescento eu.
             Ainda sobre a morte de Bin Laden, o nosso patriótico Ministro das Relações Exteriores, contrariando o que acima mencionamos, resolveu dar declarações à imprensa elogiando a ação militar (terrorista, por que não?) dos EUA que resultou na morte do dito cujo. O Sr. Ministro regozijou-se (ops!) com o Presidente Obama enaltecendo os "valores democráticos" que segundo ele (o Ministro) devem prevalecer de agora por diante no Oriente Médio e redondezas. É como se a morte do líder muçulmano resolvesse as questões mais do que delicadas que envolvem não apenas os dogmas religiosos de Maomé, Alá e "seja lá" o que for, mas também uma série de interesses econômicos e políticos dos quais as grandes potências, Estados  Unidos à frente, participam efetivamente.
                  Já dá pra notar que a política externa brasileira está mudando. Aquela posição meio rancorosa contra os americanos parece que vai ser deixada para trás. As declarações do diplomata "patriótico" nas entrelinhas deixa transparecer isso. Tomara, porém, que isso não signifique um recuo com relação às verdadeiras posições que precisamos ter como país soberano. Não podemos de maneira nenhuma voltar a praticar aquela política da subserviência e do puxasaquismo aplaudindo tudo o que o Tio Sam faz.
               De qualquer modo, entretanto, "para o bem (Laden) de todos e felicidade geral da nação", melhor seria ficar calado Sr. Ministro!. Suas palavras não acrescentaram absolutamente nada, e pegaram muito mal!

terça-feira, 3 de maio de 2011

O PAÍS DOS UNIVERSITARIOS

"Há seis universitários no país para cada estudante de escola técnica. Nos países desenvolvidos, a proporção é de três estudantes em universidades para cada aluno de curso profissionalizante".
Estou copiando a informação que foi publicada ontem dia 02 de maio, pela "Folha de São Paulo", em um dos seus editoriais, porque, de algum modo, ela vem confirmar o que há muito tempo eu já desconfiava, ou seja, tem "universitário" em demasia (DIL-masia?) neste país. Aliás, é público e notório (ops!) que em cada esquina do Brasil pode-se encontrar uma "faculdade". Virou uma verdadeira febre!. Muitos empresários migram  de um negócio para outro, isto é, deixam suas antigas atividades e abrem "faculdades", Deus sabe como! Tudo indica que o negócio é altamente lucrativo. Assim como a saúde já havia sido privatizada, também a educação virou negócio, virou comércio.
Uso aspas nas palavras universitário e faculdade e o leitor(a) bom de gramática poderia, quem sabe, me corrigir. Mas argumento o seguinte: não se pode dar este título a qualquer pessoa, até mesmo em respeito ao sentido original do termo. Supõe-se que ao chegar ao terceiro nível de escolaridade, o curso superior, a pessoa tenha uma formação  intelectual relativamente sólida e nós sabemos que isto não acontece. Depois, grande parte dessas "faculdades" que abrem (e fecham) a cada minuto, são, na verdade, verdadeiras "fábricas de diplomas", sem nenhuma condição de ostentar o título. O aluno não presta, e a  faculdade idem!
O Brasil começa a viver uma crise de mão-de-obra técnica especializada, e isto tem consequências graves para o desenvolvimento do país. Ora, uma das causas desse problema é exatamente a falta de incentivo à formação técnica dos nossos jovens. Hoje em dia todo mundo quer ser "universitário", custe o que custar. E quem tem um dinheirinho para pagar a mensalidade (sempre cara) se matricula com facilidade nessas fábricas rotuladas de curso "superior". Enquanto isso, as carreiras técnicas se esvaziam e o mercado de trabalho continua carente de pessoal.
Agora, forçado pela pressão das empresas e atropelado pelo rítimo do desenvolvimento, o governo anuncia o Prouni do ensino técnico. Tomara que a medida (que já chega tarde) consiga a longo prazo reverter esta onda que empurra a nossa juventude para o sonho (pesadelo, muitas vezes) da carreira superior.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

LÁGRIMAS DE CROCODILO

A semana começa com uma notícia, digamos, "bombástica" (ops!), a morte de Osama Bin Laden, que por sinal era um grande conhecedor de bombas..., inclusive as aéreas... O serviço secreto americano conseguiu localizar o homem depois de quase dez anos de buscas e de muitos boatos também. Chegaram até a dizer que o terrorista havia se escondido num dos morros cariocas, o que seria, convenhamos, uma concorrência desleal no mundo da contravenção e do crime em geral. Sim, porque talvez não houvesse mais espaço para os nossos criminosos, o produto "made in Brazil". Teríamos que fazer exatamente com o fazem os irmãos da América, ou seja, uma espécie de "reserva de mercado". 
o Presidente Obama parece que não dormiu nada esta noite porque ainda de madrugada foi a TV para anunciar o grande feito do seu governo, o que certamente vai lhe render uma boa quantidade de votos nas próximas eleições. E o seu discurso, como todo bom discurso de presidente americano, exaltou a liberdade, a paz, a justiça, etc. e tal. Tudo bem. Acontece que nessas ocasiões seria oportuno também lembrar as atrocidades cometidas pelos EUA nisto que se convencionou chamar de "guerra ao terrorismo". Ninguém falou, por exemplo, da prisão, ou melhor, do campo de concentração para onde são levados os criminosos detidos pelas tropas americanas. Aliás, em sua campanha eleitoral Obama prometeu fechar este campo e até hoje nada! Lá são mantidos milhares de presos que sequer serão julgados, quer dizer, já estão condenados a prisão perpétua (ou a morte na maioria das vezes) sem qualquer tipo de processo, chance de defesa, etc., essas coisas que a "democracia" americana tanto apregoa pelo mundo a fora. Parece que a democracia desse pessoal vale somente para os outros países.
Não estou me colocando aqui como defensor de terrorista. Essa mistura de religião com violência, com ódio racial, não leva a nada, aliás, leva a morte de inocentes. Nem Alá nem Maomé nem qualquer outro líder ou guru religioso concordaria com uma coisa dessa.Nada justifica porém que a violência seja combatida com mais violência, ou que a ditadura seja substituida por  outra, ainda que fantasiada de democracia.
É por essas e outras que eu não festejo a morte do Bin Laden, nem me comovo com as lágrimas de crocodilo do Sr. Barak Obama.
Olha, essa história eu já conheço. Esse filme eu já vi... e não gostei.
Boa semana para todos vocês !